segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sinhá Rosa na Janela



Lá Está Sinha Rosa
Olhando da Janela a vida que passa
Vez em quando sai a porta
Olhar de perto a Trinca que vaza
Senta no toco na porta da rua
Finge enxergar o menino que solta pipa
Começa balbuciar a velha canção
Mas cansa e pára
Só olha

Lá está Sinha Rosa
Dona moça, velha virgem
Não foi falta de amor a fazer toda desfeita
Não foi falta de calor a subir pela direita
Só olhou de mais enquanto o tempo passava
E agora olha, sem tiro, disparada

Sinha moça reza chorosa
A Chita da Saia desbotou antes da hora
vai fazer outra no sábado que vem
Antes é preciso vender na feira, gente que nunca vem
Velha virgem tem ainda seus modos
as pernas cambitas cruzadas em prosa
Deixa o sorriso, desbota, desloca
Moça Dona, Dona Moça
Os cabelos ainda fartos
Nem negros nem Brancos
Os mesmo quadros de Santo no quarto

O Rosário de Maria Pendurado na sala grande
Guarda proteção da casa cheia de môfo
Sinha Rosa entra pra dentro
Velha Virgem vai fazer café
No meio do pó negro de onde cai fervendo o quente
Coa também o medo do tempo
Que passou tão depressa
Depressa demais
Volta ao Alpendre e continua a olhar
Talvéz pelo cheiro de café
Possa enfim se ajeitar
Sinha Rosa na Janela
Sinhá Rosa quer
Quererá!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Meu primeiro terremoto

Tudo junto. As vezes acontece. Você treme junto. Começa com a sensação de desequilíbrio, você pende para um lado e para o outro. Pende para frente e para trás. Segura em qualquer lugar que te ofereça proteção e vai em busca de estabilidade. O chão ainda continua a se mover e você não encontra lugar seguro, não encontra abrigo e não sabe onde se esconder.
As pessoas passam por você e você percebe que elas não estão pendendo para canto algum. Talvez o seu primeiro terremoto não seja na verdade o seu primeiro, talvez seja apenas mais algum, que de alguma forma, não se sabe onde nem quando, se exteriorizou e tomou forma. Talvez o terremoto seja humano e o humano seja terremoto.